Ontem assisti ao grande filme brasileiro do ano: tropa de elite 2.
Depois do sucesso do primeiro, extremamente polêmico e causador de confusões gigantescas na interweb, sua continuação, de novo dirigida por José Padilha, trilha o mesmo perigoso caminho.
Sem avaliar o roteiro, apenas tecnicamente, devo exaltar a perfeição da produção: direção genial, trilha sonora em harmônica e atuações fantásticas.
Porém, não somente de fotografia vive um filme, e é nesse quesito que tropa de elite peca. Muito como seu antecessor a seqüência sofre principalmente por culpa do roteiro. Veja bem, não estou dizendo que não é coeso ou complexo, mas que suas reflexões, pouco profundas, perigosas acrescento.
Feito para um público classe média e somente classe média, pois alguém realmente tem a ilusão de que os pobres de renda de nosso amado país irão ver esse filme no cinema? Eles não irão, provavelmente compraram a versão botleg nos camelódromos de suas cidades, e pior ainda, não compreenderam a suas nuances e críticas.
Essas são as mesmas pessoas que capitão Nascimento mata a sangue frio aos montes. Pessoas estas que não aproveitam do hospital que o filho baleado do nascimento vai depois que sua mãe e o seu novo marido historiador são alvejados em frente a sua casa em seu carro de 70 mil reais.
O filme nos leva a olharmos ao tão criticado sistema( citado inúmeras vezes como o grande culpado), o mesmo, que por sinal permitiu a construção e realização do filme, com olhos raivosos. Erro grave e perigoso. Mexer com as vontades mais vísceras da sociedade atuante, porém ignorante dessa forma, me levou a apenas uma conclusão: o filme é uma reunião de angústias e pensamentos anarqistas e fascistas planejados único e exclusivamente para gerar confusão e, consequentemente, maior arrecadação nas bilheterias do pais.
Algumas coisas me assustaram muito no filme e na reação da platéia, lotada e exaltada .
Existe uma cena em particular que me chocou profundamente. Uma cena irresponsável e exagerada e que demonstra exatamente o por que de eu achar a película anarcofascista: lá pelo final do filme, Nascimento está puto com Deus e o mundo e, em conjunto com outros capitães do b.o.p.e, faz uma batida em frente a casa de um político corrupto. Quando o mesmo percebe, pára o carro e nascimento o retira a força, começa a socar e chutar, ameaçar e ofender. Todos, e quando digo todos falo sério, começaram a aplaudir aquele momento bárbaro. Fiquei extasiado.
O filme que critica tanto a corrupção e desvirtuação da nossa sociedade, produz momentos como esse, que exaltam a violência e negligência em relação às nossas leis. Leis estas, muito esquecidas nesse momento, mas que nos mantém unidos e em paz. E para aqueles que me disserem que não existe paz e organização no mundo-brasil incluso-digo para googlar na interweb sobre quantas pessoas vivem atualmente neste pequeno planeta chamado terra : mais de 6 bilhões, e para depois pesquisarem em quantas morrem e nascem por ano e suas respectivas causas.
Quero que entendam também, que não estou dizendo que nossa sociedade é calma. Não tenho ilusões sobre isso. Porém sempre mantenho em mente que não existe nenhuma sociedade animal no planeta que não possui conflitos. E que são vitais para a dinâmica do desenvolvimento tecnológico e social do planeta, afinal sem eles os nazistas ainda estariam aqui, só para citar 1 exemplo. Conflitos são violentos e cruéis, eu os abomino, porém ainda são necessários e eu admito e compreendo.
Sei que serei muito criticado por meu texto, mas principalmente por minha próxima frase: recebemos mais uma vez, um filme hipócrita e irresponsável, com pensamentos perigos e ignorantes.
Se você não assistiu ainda, não perca seu tempo. Mas se ainda sim o fizer, vá preparado, leia livros de sociologia e história antes, entenda o contexto em que o filme acontece e não se deixe levar pelas conclusões do filme ou pelas minhas. Tire suas próprias, mas por favor, seja racional.